a vida que eu devo à minha eu de 15 anos

     Esses dias me peguei pensando o quanto das minhas decisões foram feitas buscando agradar outras pessoas. Algumas escolhas que não faziam e nunca fizeram sentido pra mim, mas em algum momento eu pensei que era a coisa certa a se fazer. 

    Diversas eram as razões que me motivaram a tomar essas decisões. Agradar alguém que eu amava, buscar reconhecimento de alguém que eu admirava, fazer a melhor escolha possível, tentar não errar. 

    Eu escolhi cursos de faculdades, empregos, cidades, pessoas com quem eu me relacionei com essa régua. Na maioria delas eu não fui feliz. 

    Hoje eu me pego levando em consideração outros atributos, como: a minha opinião, o que eu realmente gosto e encontro prazer e alegria, as coisas que fazem sentido pra mim, e valores importantes na minha vida. 

    Uma das coisas que me surpreendeu é que uma parte de mim ainda insatisfeita com as escolhas que eu fiz e continuo fazendo, acha que eu devo algo pra minha eu de 15 anos.

    O que foi provavelmente a minha versão mais determinada e sonhadora, eu vivia uma realidade que as coisas pareciam todas possíveis se eu me dedicasse suficiente. Eu sempre tinha motivação, pois o meu objetivo parecia alcançável. E talvez parte dela estava certa. 

    Faz mais de 10 anos que eu era essa pessoa, e que tinha sonhos grandes, e que eu queria coisas pra mim que achei que seriam pra sempre inegociáveis. 

    Eu me afastei tanto dessa versão de mim, que por muito tempo esqueci as coisas que me eram importantes naquela época. 

    Mas hoje, como se fosse um click, alguém abriu um arquivo que estava cheio de pó no fundo da minha mente. Eu me prometi fazer tantas coisas. 

    Os meus desejos eram claros: fazer faculdade, mestrado, doutorado, casar no intervalo entre algum desses, viajar o mundo, ter filhos óbvio, ter também alguém que limpasse a casa e cozinhasse me ajudando. 

    A minha certeza era de que eu passaria grande parte do momento que eu estou vivendo hoje estudando, aprofundando meus conhecimentos e viajando o mundo. 

    Algo em mim doeu quando percebi que eu falhei logo na primeira parte do meu plano. Não ter faculdade? Isso era inegociável. 

    Na minha mente extremamente madura e ampla de 15 anos de idade, apenas pessoas sem perspectiva e ambição tinha tal destino. 

    Será que ela me admiraria sabendo que eu moro na Austrália e trabalho com criação de conteúdo? Será que na régua dela seria aceitável ter começado diversas faculdades e parado? Será que ser aceita numa faculdade no exterior ainda garantiria que eu fosse amiga dela?

    Conhecendo quem eu era, provavelmente não. A grande maioria das conquistas não são admiráveis nos olhos de uma adolescente.

    Me acompanhe enquanto eu tento não frustrar uma versão de mim que ainda existe.

Comentários

Postagens mais visitadas