Minha amiga me elogiou dizendo que eu sou imperfeita

    Acabei de voltar de um almoço com uma amiga minha e uma das coisas que ela me disse ficou marcada. Estávamos conversando, dividindo tudo, compartilhando histórias e enfim, criando laços. Uma das coisas que ela me falou foi "you are so imperfect & I love that about you". Num primeiro momento eu fiquei me perguntando "imperfect?" o que você quer dizer com isso garota.

    Depois de um tempo ela começou a falar sobre a forma que eu me comunico, me exponho, sou vulnerável. E aí eu entendi o que ela quis dizer. Ela estava falando sobre ser imperfeita, não como uma forma de descredibiliza ou machucar. Mas de uma forma que diz "eu me vejo nas suas imperfeições" e nisso eu me sinto representada e acolhida.

    Eu passei quase 25 anos da minha vida tentando esconder minhas imperfeições e defeitos. Tentando minimizá-los de forma que ninguém pudesse notar. Detalhes na minha aparência, alguma coisa no meu corpo que eu não gostava, coisas que eu falava, falhas/faltas que só eu enxergava. 

    Foi tanto tempo que eu passei pensando em cada uma dessas coisas, o jeito que o meu dente era, que minha orelha ficava, como a minha sobrancelha ficava quando eu tinha alguma expressão, o meu corpo de certo ângulo. O meu passado, a quantidade de dinheiro que eu tinha/tenho, as oportunidades que eu tive e não tive. Eu tive sucesso em diminuir várias das características que eu considerava imperfeitas, mas sempre aparecia algo novo.

    Nada mudou até eu começar a aceitar algumas dessas características que eu antes considerava defeituosa. Eu tive que colocar em prática um amor próprio e compaixão de forma radical. Eu tive que me treinar para amar coisas que não era tão fáceis de amar. Até porque, é muita fácil amar meu cabelo quando ele é lindo e sem defeitos, ou meu olho ou sei lá o meu repertório de livros e as faculdades que eu já fiz ou línguas que eu falo. 

    Amar uma qualidade é bem mais fácil. O único problema é que não somos 100% qualidades. Tem tantas coisinhas no meio, coisas que não nos orgulhamos, decisões que poderiam ser diferentes... E assim é a vida, cheia de coisinhas boas e umas nem tanto.

    Porém, se somos capazes de amar apenas as coisas boas, acabamos amando 50% da vida e passamos os outros 50% sendo miseráveis, odiando nós mesmos e muito da nossa história. 

    Praticar amor e aceitação é muito desafiador, ainda mais quando somos treinados para encontrar defeitos, ajustar, consertar problemas. Acabamos nos enganando e trocando um pequeno detalhe por defeito e quando nos percebemos ele também já foi consertado. 

    Eu sei que tem partes de nós mesmos que não são fáceis de amar, todos temos. Eu tenho várias, mas eu comecei a cuidar disso com ternura há uns anos e posso confirmar que é o melhor caminho a ser traçado. Viver se amando, sendo apaixonada por você e pela vida é uma tarefa árdua, mas vale a pena. 

    Amar as imperfeições é como um abraço na alma. Como dizer para si "tá tudo bem, e vai ficar tudo bem", é uma das maiores formas de amor e conforto que podemos nos proporcionar. 


    Caso você queira escrever e descobrir um pouco mais eu recomendo escrever tentando responder essas perguntas:

Que imperfeições eu tive sucesso em esconder/remover/diminuir? 

Que imperfeições me incomodam? 

Como eu quero lidar com as imperfeições?

Que imperfeições eu posso aceitar hoje?

Quais partes de mim eu tenho dificuldade de amar? 


    Se você quer ler um pouco a mais sobre, recomendo esses livros: 

Inglês:

Radical Acceptance: Awakening the Love that Heals Fear and Shame

Radical Compassion: Learning to Love Yourself and Your World with the Practice of RAIN
The Gifts of Imperfection

Português:

Aceitação radical: Como despertar o amor que cura o medo e a vergonha dentro de nós
A coragem de ser imperfeito: Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é

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