Será que a ansiedade se cura com ilusão?
Eu não previ todas as coisas boas que me aconteceram, mas muito provavelmente meu cérebro pensou em todas as coisas ruins que poderiam acontecer. E a grande maioria delas foi bem menor e bem mais leve do que eu me fiz acreditar que seria.
Seria ótimo poder viver *delusionally*. Me fazendo acreditar que apenas coisas boas vão acontecer. E confesso que hoje em dia, eu sou mais iludida do que ansiosa. Mas por muito tempo as coisas aconteceram de forma diferente.
Uma coisa engraçada da ansiedade é que ela apenas antecipa situações ruins, catastróficas. Essa é a função dela nas nossas vidas: nos proteger. Pensar em cenários nos quais a nossa sobrevivência está em risco, e muito provavelmente ela nos protege de várias coisas no nosso dia a dia.
Porém, nosso cotidiano evoluíu há milhares de anos, e não enfrentamos mais as situações que nossos ancestrais costumavam. Nossas manhãs não começam com uma corrida pelas nossas vidas, eu pelo menos não fujo de um leão antes de ir pro trabalho todos os dias. Nem tenho que me manter alerta caso vire presa de algum animal que possa me matar no meio dia.
Por mais que nossa sociedade não seja idealmente segura, não enfrentamos tantos perigos quantos nos primórdios.
Nosso cérebro foi feito assim para nos proteger. Nossa amigdala sequestra toda nossa energia mental e nossos pensamentos para poder pensar em catástrofes. Muitas vezes ela é engatilhada pelo que nosso parceiro ou amigo falou. “Será que ele não me ama mais? Será que ele está me traindo? Será que ele quer terminar?” ou “Ela foi grossa ou foi impressão minha? Será que ela está me julgando? Será que ela me odeia secretamente?”.
Esse sequestro do nosso cérebro é explicado um pouco mais pelo Daniel S. em Inteligência emocional.
Infelizmente, na maior parte das vezes o meu cérebro trabalha para me proteger e não para pensar em cenários bons e maravilhosos. Infelizmente, por muito tempo a maior parte dos meus pensamentos eram ruins. E eu facilmente perdia o controle, perdia as rédeas da situação.
Até o momento que eu li esse livro e comecei a ter consciência de quando minha amigdala entrava em ação. Foi quando eu também percebi que tinha controle das rédeas do meu pensamento.
Eu também melhorei muito a qualidade dos meus pensamentos quando comecei a meditar. Hoje eu sinto que isso me ajuda a entender mais rapidamente quando essa mudança de pensamento acontece.
A informação que talvez seja mais importante passa é que coisas boas também acontecem. E algumas coisas são tão boas e tão maravilhosas que nem temos a capacidade de prever.
Eu não estou falando de ilusões absurdas e irreais, como você se tornar a pessoa mais rica do seu ciclo de amigos, e o Justin Bieber te pedir autógrafo.
A intenção é que você saiba que a vida pode ser muito boa mesmo quando sua cabeça te convença do contrário. E que é possível você treinar sua mente para prever o bem.
Eu sei que quando estamos vivendo dias ruins há dias, semanas ou até meses é difícil nos convencer de que isso é real e possível. Mas é sim.
Talvez essa mudança comece com um diário da gratidão, uma oração, um livro que você leu, aprendendo a apreciar momentos ou com um profissional de saúde. Seja qual for seu caminho, tenho certeza que você vai aprender a aproveitar cada dia mais.
Fique bem. Lembre-se que você sempre pode buscar ajuda.
Com carinho,
Letícia
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